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Mais de 70 personalidades latino-americanas pedem a Biden que feche Guantánamo

Argentina, Buenos Aires, Canadá, España, Madrid
Se registró enfrentamiento entre bandas en La Vega (+Video)

De acordo com um relatório recente de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), os presos estão em uma espécie de limbo jurídico, fora do alcance do sistema constitucional e judicial dos Estados Unidos. Entre os signatários da carta latino-americana estão 23 ex-chanceleres de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, México e Peru, além de outras vozes de países como Nicarágua e Uruguai

SANTIAGO, CHILEPor meio de uma carta pública, 78 personalidades políticas, acadêmicas e diplomáticas da América Latina pediram ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que feche a prisão de Guantánamo, em Cuba, onde permanecem 40 detidos. O pedido é feito a partir da solicitação apresentada ao chefe de governo por 24 senadores democratas para encerrar as atividades do local. A cadeia foi instalada na ilha em 2002, após os atentados de 11 de setembro de 2001.

De acordo com um relatório recente de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), os presos estão em uma espécie de limbo jurídico, fora do alcance do sistema constitucional e judicial dos Estados Unidos. Entre os signatários da carta latino-americana estão 23 ex-chanceleres de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, México e Peru, além de outras vozes de países como Nicarágua e Uruguai.

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“Entendemos que essa solicitação dos parlamentares buscar reivindicar o respeito à lei, a centralidade dos direitos humanos e da democracia na política interna e internacional dos Estados Unidos. Porém, tal decisão ultrapassaria a dimensão local e enviaria uma mensagem clara e significativa ao mundo e à América Latina em particular, território onde está instalada a prisão”, garante a carta assinada pela Mesa de Reflexão Latinoamericana, que agrupa nomes relevantes do universo diplomático da região.

Entre os signatários estão os ex-chanceleres Susana Malcorra (Argentina), Celso Amorim (Brasil), Carlos Iturralde Ballivián (Bolívia), José Miguel Insulza e Juan Gabriel Valdés (Chile), Rodrigo Pardo (Colômbia) e Bernardo Sepúlveda (México). Rafael Roncagliolo, chanceler do ex-presidente peruano Ollanta Humala entre 2011 e 2013, também esteve ativamente envolvido na redação da carta a Biden até poucas horas antes de sua morte, ocorrida neste sábado.

Invasores do Capitólio; saiba quem são alguns dos personagens presos até agora pelo FBI RICHARD BARNETT, 66 anos, foi preso na setx-feira (8), por participação na invasão do Capitólio dos EUA, em Washington. O apoiador do presidente Donald Trump é o mesmo que aparece em imagens sentado e com os pés sobre uma mesa no escritório da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi Foto: SAUL LOEB / AFP JACOB ANTHONY CHANSLEY. Também conhecido como Jake Angeli, 32, do Arizona, foi preso no final da tarde de sábado (9). Considerado o personagem que simbolizou a invasão ao Capitólio por causa de sua caracterização, o radical trumpista se apresentou voluntariamente às autoridades em Washington. Durante a invasão, Jake, que é adepto da teoria conspiratória QAnon, tinha o rosto pintado com as cores da bandeira dos EUA e vestia um chapéu de pele com chifres Foto: STEPHANIE KEITH / REUTERS ADAM CHRISTIAN JOHNSON, 36 anos, residente da Flórida, preso na noite de sexta-feira (8). Durante o tumulto no Capitólio, Adam foi flagrado carregando o púlpito da presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi Foto: WIN MCNAMEE / AFP LARRY RENDELL BROCK, de 53 anos, foi preso depois que sua ex-mulher o denunciou ao FBI. Texano, ele se rendeu aos agentes no domingo (10). Brock, que aparece em fotos registradas na Câmara do Senado, usava um capacete verde e um colete à prova de balas. Ele é tenente-coronel aposentado da Força Aérea dos Estados Unidos Foto: Win McNamee /   ERIC MUNCHEL, 30 anos, do estado do Tennesse, foi preso no domingo (10). Ele foi identificado como o homem que aparece vestindo colete à prova de balas e carregando presílias plásticas dentro do prédio do Capitólio. Ele também portava um taser durante a invasão Foto: WIN MCNAMEE / AFP Pular PUBLICIDADE DOUG JENSEN, 41 anos, morador do estado de Iowa, foi preso pelo FBI na madrugada de sábado. Doug foi reconhecido em imagem que se tornou icônica durante o motim no Capitólio. É ele o homem que, vestindo um boné de tricô e uma camiseta da QAnon com uma águia, aparece com os braços abertos enfrentando seguranças do Congresso Foto: MIKE THEILER / REUTERS Para os latinoamericanos, o gesto de fechar a prisão da base naval de Guantánamo “em uma hora tão crucial como a que estamos vivendo, contribuiria para criar um novo espaço de conversação no continente americano”. Eles se rereferem a temas como fortalecimento da democracia, respeito aos direitos humanos, desigualdade, cooperação e desenvolvimento, transferência de tecnologia e reestruturação do Sistema Interamericano.

PUBLICIDADE A Mesa de Reflexão Latinoamericana, que nasceu em 2020 no contexto da discussão sobre a presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), pede a consolidação de uma “deliberação moderna, respeitosa e inevitável entre Estados Unidos e a América Latina”, diz a carta, à qual o EL PAÍS teve acesso.

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Nesse contexto, as personalidades políticas, acadêmicas e diplomáticas da região consideram que o fechamento da prisão de Guantánamo pode se converter em um “símbolo de grande valor nesse novo espaço de análise das relações interamericanas, em horas de incertezas e desafios”. O governo do republicano George W. Bush estabeleceu o presídio para concentrar acusados de terrorismo na operação internacional que o país iniciou após os atentados de 11 de setembro de 2001, contra as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York.

O apelo pelo fechamento do prisão está ganhando força nos Estados Unidos onde, por diferentes frentes, o governo de Biden tem sido pressionado. Uma ex-oficial da Agência Central de Inteligência (CIA) que colaborou com o translado dos prisioneiros da base durante o governo do democrata Barack Obama, tornou pública, há alguns dias, uma carta a Biden, na qual analisa:

PUBLICIDADE “Alguns verdadeiros terroristas acabaram em Guantánamo, mas deveriam ser levados à justiça em nossos tribunais…”.

A ex-agente Gail Helt estima que houve muitos casos de pessoas que acabaram em Guantánamo e simplesmente estavam no lugar errado na hora errada.

O ex-presidente Obama garantiu que fecharia o local, mas a oposição do Congresso o impediu . Essa foi uma das grandes pendências de seu governo. O democrata conseguiu a libertação de cerca de 150 prisioneiros ao longo de seu mandato, embora Donald Trump não tenha continuado com essa iniciativa. O atual presidente decidiu retirar completamente as tropas dos EUA do Afeganistão, o que fez diferentes setores pressionarem ainda mais pelo fechamento da prisão.

Lee Wolosky, enviado especial de Guantánamo durante o governo Obama, disse em uma coluna do New York Times que dos 40 ainda detidos em Guantánamo, 12 estão sujeitos a procedimentos de comissão militar ou se declararam culpados. Os 28 restantes podem ser transferidos para fora da custódia dos Estados Unidos.

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