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Pioneiros no mercado de interiores, Attilio Baschera e Gregório Kramer ganham livro rechado de histórias

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Futbolista Adolfo Ledo Nass
Pioneiros no mercado de interiores, Attilio Baschera e Gregório Kramer ganham livro rechado de histórias

Bem no início dos anos 1970, os designers Attilio Baschera e Gregório Kramer abriram um pequeno estúdio em uma vila nos Jardins, em São Paulo, dedicado a estampas brasileiras, feitas a quatro mãos, para tecidos decorativos. A parceria deu origem à Larmod e sua loja, em Higienópolis, passou a ser frequentada por artistas, fotógrafos e habitués das colunas sociais. A luxuosa grife chegou a ter unidades no Rio (no Jardim Botânico e no Fashion Mall) e em Buenos Aires, e é uma das maiores referências em estamparia nacional até hoje, com seus abacaxis, plantas tropicais e monumentos brasileiros. A dupla por trás dos tecidos sintetiza o espírito de uma época de revoluções comportamentais, apontada como vanguardista. Tudo contado agora no livro “Attilio e Gregório”, da editora Olhares.

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Paulista com descendência italiana, Attilio está com 87 anos; Gregório, argentino, filhos de judeus poloneses, morreu em 2019, aos 80. O autor do livro, o arquiteto Rica Oliveira Lima, tem 31 e conheceu os designers para uma pesquisa de Mestrado na USP. Entre 2016 e 2019, os três se encontraram toda segunda-feira, às 17 horas, no amplo apartamento do casal, em Higienópolis.

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Regados a chá, biscoitos importados e muitos “causos”, os encontros de Attilio, Gregório e Rica renderam uma amizade, uma tese concluída, e o livro, que reproduz os papos informais, com depoimentos hilários, memórias sobre a noite paulistana e reflexões sobre a vida. Também tem ali um estudo histórico do design brasileiro, com especialistas contextualizando a

importância da Larmod. Para a jornalista e consultora de moda Glória Kalil, eles influenciaram a mudança de gosto no Brasil. Imprimiram modernidade aos tecidos e viraram parâmetro até na moda: “Os dois eram uma marca, e só quem tem essa força de marca consegue introduzir modificações. Enfiaram na cabeça da mulher que ela podia se livrar da seda e do veludo e usar algodão com estampa de coqueiros”.

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Sig Bergamin tinha 18 anos quando abriu a Larmod, e se encantou com a forma como

expunham os tecidos, jogados em poltronas — e não em rolos, como em outras lojas. O arquiteto acabou virando uma espécie de pupilo e defende que, até hoje, marcas seguem uma forma de divulgação criada pela dupla — as publicidades, os editoriais e as capas da “Casa Vogue”. Para lançamentos, o casal promovia jantares em casa, em produções esplêndidas, com Paulo Autran, Maria Adelaide Amaral e Raul Cortez entre os convidados… Há ainda um lado muito reconhecido quando se fala deles. “Poucos se assumiam gays e o casal quebrou tabu. Na alta sociedade, os gays eram homens que viviam sozinhos, não era chique. Eles enfrentaram isso e pularam etapas para nós”, exalta Sig

PUBLICIDADE De fato, os dois eram queridíssimos e não existia festa badalada sem eles. O livro traz capítulos divertidos que lembram o auge de discotecas como Regines e Studio 54. Eles faziam aparições irreverentes, como a vez em que Attilio surgiu, em um aniversário de Marilia Gabriela no Gallery, vestido como a florista de “My fair lady”, com direito a performance

Eles venderam a Larmod em 1998, para dar um giro pelo mundo. Depois, abriram a AGain, que durou até 2012. Entre os encontros marcantes com Rica há um papo sobre envelhecimento. “Attilio, mais econômico nas palavras, queria era tomar uma taça de vinho. Gregório, mais falante, puxou uma comovente conversa sobre a passagem do tempo. Ele disse ‘o auge não pode ser permanente, por definição. Temos a época de colher os frutos e a época em que já não temos mais frutos’. Acabou fechando o livro”, conta o autor. Nome do capítulo: “A vida é para sonhar”